O filme Água Mãe, de Hiroatsu Suzuki e Rossan Torres, irá ser projetado no Festival Etnobotânico do Pulo do Lobo 26, no dia 9 de maio pelas 20h45 no CIPAS. Este foi o vencedor no Doclisboa25 na categoria Melhor Filme da competição portuguesa. Não percam esta oportunidade, venham assistir. Entrada Livre!
SOBRE O FILME
Mértola, o rio Guadiana, um lugar com antigos moinhos de água onde se moía farinha para o pão.
Um lugar onde vivem aves e pessoas relaxam.
Os barcos de pesca passam e os peixes saltam.
As marés sobem e descem e a atmosfera muda todos os dias.
A cor da água e da paisagem varia ao longo do ano.
Ao mesmo tempo, Manuela Barros Ferreira deixa-nos o texto “Alma”.
Porque contemplamos o rio?
“À minha mãe que partiu ficando em mim”, in A Senhora de todas as Mortes de Manuela Barros Ferreira. Rossana mora em Mértola há vários anos, Hiroatsu tem em Mértola a sua residência desde 2008 e é desde essa altura que trabalham juntos num processo criativo muito próprio e singular. A vila de Mértola desperta um fascínio especial devido à sua paisagem e natureza, mas também, por ser um lugar onde se pesquisa movimentos das civilizações e culturas que por lá passaram ao longo de vários milénios.
Seguindo o rio algumas centenas de metros para norte de Mértola, estão as Azenhas do Guadiana, numa linha de antigos moinhos de água e respectivos açudes, a ligar as margens do rio. É o lugar limite até onde chegam vindo
do mar, quer barcos maiores, quer as marés, que faz com que a água suba e recue duas vezes ao dia.
O caudal transforma-se todos os dias criando momentos mágicos onde um qualquer visitante pode ser apanhado de surpresa e ficar maravilhado com o fenómeno. Foi num desses momentos que o Hiroatsu sentiu vontade de filmar o lugar das Azenhas do Guadiana.
Ao longo das margens ambos gravaram imagens e sons, sentir as múltiplas variações da luz e das cores das manhãs e finais do dia, com a água que pára e recomeça. Captar os momentos mágicos dessa relação, como o da sombra do sol ao final do dia, a invadir o moinho no momento em que a água do rio se imobiliza.
Durante a montagem, Rossana traz o texto da mãe, Manuela Barros Ferreira, que faleceu entretanto.
A ideia de partida nesse processo, foi procurar interstícios e mudanças na continuidade do tempo e no espaço, e o descobrir como o texto de Manuela cria ressonâncias no filme como um todo. Procurar ecoar nos espaços os sons
internos e externos de cada plano, desenvolvendo uma sensibilidade para ver e ouvir as cores e os sons que nos entram pelos olhos e ouvidos adentro. Sentir o que se vê e ouve de forma suave e meiga e permitir o desafio, para quem assiste, a participar numa co-construção individual de sentidos e emoções. Procura-se o despertar vagaroso dos sentidos, ligado à passagem do tempo, à transformação da luz, ao tempo do olhar, do sentir do espectador.
“O tempo da observação de quem vê por estar presente no instante, num infalível movimento de beleza.”
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